PATERNIDADE CRISTÃ • ADOLESCENTES

DT 4:9-10 | “Tão-somente guarda-te a ti mesmo, e guarda bem a tua alma, que não te esqueças daquelas coisas que os teus olhos têm visto, e não se apartem do teu coração todos os dias da tua vida; e as farás saber a teus filhos, e aos filhos de teus filhos.O dia em que estiveste perante o SENHOR teu Deus em Horebe, quando o SENHOR me disse: Ajunta-me este povo, e os farei ouvir as minhas palavras, e aprendê-las-ão, para me temerem todos os dias que na terra viverem, e as ensinarão a seus filhos”. 

A paternidade sempre foi um grande desafio. Nos dias atuais este desafio é ainda maior e se você for pai, cristão e seu filho estiver na adolescência… Que o Senhor tenha misericórdia!

Brincadeiras à parte, o fato é que por trás de todo desafio existem grandes oportunidades. Aproveitá-las e otimizá-las, no entanto, dependem exclusivamente de cada um entender e cumprir seu papel na formação do adolescente.

A adolescência é sem dúvida o período de maiores transformações e conflitos de nossas vidas e diariamente somos forçados a aceitar a ideia de que nesta fase vamos perder nossos filhos. Certa vez conversei com um pai que me dizia que num dia segurava em seus braços um filho que o via como um herói e no dia seguinte era como se seu filho fosse um completo estranho morando em sua casa. A ideia mais ou menos comum de que nesta fase perderemos nossos filhos não é absolutamente a ideia do Senhor para nossas famílias.

Muitas vezes ignoramos que 80% dos cristãos se converteram antes dos 18 anos, isto significa que é justamente nesta fase de nossas vidas que estamos mais abertos ao Senhor. Quando nos voltamos para as Escrituras vemos muitas crianças e adolescentes escolhidos por Deus para marcarem suas gerações como Samuel, Davi, Ester, Daniel, Maria, Timóteo e tantos outros. Mas isto só vai acontecer quando nós – pais e pastores – nos posicionamos e cumprimos nosso papel na formação destes jovens.

O CENÁRIO ATUAL

Passamos por tempos de rápidas e profundas transformações e, como sempre, elas são sentidas e vivenciadas de uma forma mais intensa pelas novas gerações.

Há alguns anos quando falávamos sobre criação de filhos era como se todos agissem praticamente da mesma forma, como se existisse um “código” próprio entre os pais. Eles eram reconhecidos como figuras imediatas de autoridade. Havia até uma expressão comum que dizia, “mãe é tudo igual, só muda o endereço”. Isto era assim porque, mesmo entre os não cristãos, havia uma noção clara entre certo e errado, os valores e princípios eram mais sólidos. Os pais não se perguntavam se estavam sendo bons pais ou mães, eles simplesmente eram pais.

Hoje temos o certo, o errado e o politicamente correto. Na ânsia de serem bons pais ou mães, muitos abrem mão dos limites, das regras claras e querendo ser bons pais acabam estabelecendo uma liberdade perigosa em suas casas.

Quero compartilhar uma pesquisa com vocês. Notem que esta pesquisa já está defesada, mas o que quero que notem não é exatamente o que vivemos hoje, mas sim a mudança de valores.

Esta pesquisa (US News e World Reports • 1999) compara os principais problemas da adolescência em 1940 e 1999:

  • Em 1940

1. Conversar na sala de aula

2. Mastigar chicletes

3. Agir de forma grosseira

4. Conversar nos corredores

5. Vestimenta inapropriada

  • Em 1999

1. Drogas ilícitas

2. Álcool

3. Gravidez precoce

4. Suicídio

5. Estupro

Hoje, os pais são encorajados a estender os limites, ignorar as regras e principalmente as verdades bíblicas.

Mas, em relação a paternidade, há uma verdade bíblica que não pode ignorada: Deus ainda mantém os pais responsáveis pela instrução e disciplina dos filhos.

PATERNIDADE DE DEUS E PATERNIDADE HUMANA

Como devemos ser como pais?

A Palavra declara que os que são nascidos de Deus (JO 1:13), que recebem a Cristo (JO 1:12), e são guiados pelo Espírito (RM 8:14) têm o direito de receber a herança de Deus como filhos.

JO 15:9-10 | “Como o Pai me amou, também eu vos amei a vós; permanecei no meu amor”.

Acho importante começarmos estabelecendo a essência da paternidade de Deus, porque creio que a paternidade humana deve ser modelada pela paternidade divina. Os esforços dos pais devem ser no sentido de permitir que seus filhos enxerguem a paternidade de Deus. Os filhos devem ver nos pais, claro que ainda como um reflexo imperfeito, o amor, a ternura, a graça, a misericórdia de Deus.

Em Colossenses lemos:

CL 3:21 | “Vós, pais, não irriteis a vossos filhos, para que não percam o ânimo”. 

Deus está estabelecendo um objetivo claro sobre a paternidade: não desanimar nossos filhos. Esta palavra significa, desencorajado, desinteressado, uma espécie de renúncia à vida. Então, de forma inversa, os pais são incentivados a encorajar seus filhos. Ou seja, mantê-los esperançosos, felizes e corajosos!

Até aqui não vemos nada cristão, parece até mesmo algo óbvio demais para ser dito. Um pai, com um mínimo de bom senso, quer motivar seu filho.  Mas claro que Paulo não está se referindo à rotina, ele está falando de verdades espirituais, então a esperança que declara precisar ser gerada em nossos filhos é a esperança em Deus!

O ânimo ao qual ele se refere então é a alegria citada pelo salmista em:

SL 4:7 | “Puseste alegria no meu coração, mais do que no tempo em que se lhes multiplicaram o trigo e o vinho”. 

O que Deus está dizendo através de Paulo então é que a primeira responsabilidade dos pais é a de instruir seus filhos no caminho do Senhor. A alegria mencionada acima é a alegria da salvação.

A primeira responsabilidade então, de instruir nossos filhos, nos conduz a segunda – amadurecê-los. Quando falamos em reestabelecer o ânimo, podemos também associar isto ao reestabelecimento da confiança, ou o amadurecimento. Paulo aprende que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus (AT 14:22) mas também declara que pode se alegrar em seus sofrimentos:

RM 5:3-4 | “E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, E a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”.

Hoje vemos muitos adolescentes que não conseguem assumir responsabilidades quando chegam à vida adulta porque durante toda sua infância e adolescência foram poupados delas. De repente se veem estudando e trabalhando, por exemplo,  e se estressam porque não foram ensinados a lidar com as responsabilidades. Paulo declara que as tribulações o conduziram ao amadurecimento e a esperança. Então como pais vamos deixar nossos filhos enfrentarem sofrimentos? Não, Paulo não está falando de um sofrimento gratuito, mas está nos incentivando a conduzir nossos filhos à dependência de Deus. A ensiná-los a enxergar suas adversidades e depositar sua confiança em Deus.

Mas como chegar a esta medida? De instruí-los e permitir que assumam suas responsabilidades para que amadureçam? Esta pergunta nos leva para o começo do versículo 21 do capítulo 3 de Colossenses:

CL 3:21 | “Vós, pais, não irriteis a vossos filhos…”. 

No versículo 20 Deus estabelece mais uma vez a autoridade paterna, dizendo vós filhos obedecei EM TUDO vossos pais, mas no versículo 21 adverte os pais a não fazerem mau uso desta autoridade. E o fim do mau uso dela é quando nossos filhos ficam desanimados e desencorajados  em seu espírito. Devemos evitar tudo o que coloca a confiança de nossos filhos em outras coisas que não Deus. Mas como fazer isto?

1. CUIDAR DE SUA VIDA COM DEUS

Não há uma técnica particular ou um programa de 40 dias para transformar seu filho. Você precisa começar alimentando sua própria relação com Deus. Será que seus filhos ficarão animados, encorajados e confiantes em Deus se eles virem que sua confiança está nos seus recursos? Ou se eles perceberem que para você seu trabalho é mais importante do que seu tempo com Deus? Somos incentivados a imitar nosso Pai, e ai a Palavra diz que somos gabaritados a sermos imitados. Seu filho dificilmente vai refletir o que você diz, mas é praticamente certo que ele seja um reflexo do que você é.

Biblicamente, ser um bom filho é imitar ao Pai. Ser santo como Ele é, amoroso como Ele é, misericordioso como Ele é. A questão fundamental então não é o que ensinar aos seus filhos, mas sim que você é diante de Deus!

2. DISCIPLINAR EM AMOR

Não ser o que você diz e discipliná-los de forma impulsiva são as principais maneiras de “irritar” seus filhos. Seus filhos precisam conhecer os limites e saber que não obedecê-los além de consequências trará uma disciplina.

A disciplina cristã é fruto do amor, é previsível e não é uma punição, mas é a correção para trazê-lo de volta ao bom caminho.

A disciplina equilibrada e consistente permite que seus filhos amadureçam em liberdade. Eles passam a enxergar Deus não como um ser caprichoso e impulsivo, mas como alguém que estabelece a paz e a ordem

PAPÉIS DEFINIDOS

Como mencionamos incialmente é vital que pais, líderes espirituais e filhos estejam ajustados aos seus papéis, para facilitar o amadurecimento e encaminhá-los ao cumprimento da vontade de Deus para suas vidas. Há uma passagem em que estes papéis ficam bem definidos:

1SM 16:1-3 | “Disse mais Samuel a Jessé: Acabaram-se os moços? E disse: Ainda falta o menor, que está apascentando as ovelhas. Disse, pois, Samuel a Jessé: Manda chamá-lo, porquanto não nos assentaremos até que ele venha aqui. Então mandou chamá-lo e fê-lo entrar (e era ruivo e formoso de semblante e de boa presença); e disse o SENHOR: Levanta-te, e unge-o, porque é este mesmo. Então Samuel tomou o chifre do azeite, e ungiu-o no meio de seus irmãos; e desde aquele dia em diante o Espírito do SENHOR se apoderou de Davi; então Samuel se levantou, e voltou a Ramá”. 

Conhecemos bem esta passagem, a unção de Davi. Aqui vemos o pai, o filhos e o profeta. O profeta é enviado à casa de Jessé para ungir o rei. Isto mostra que Jessé estava cumprindo exatamente seu papel como aquele que instrui no caminho do Senhor, que conduz seus filhos à dependência dEle e trabalha para seu amadurecimento, isto se comprova no versículo 7:

1SM 16:7 | “porque o SENHOR não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o coração”.

Isto quer dizer que o Senhor aprovava a forma como Jessé conduzia seus filhos. Porém Samuel ainda não sabia exatamente qual dos filhos seria ungido. Aos olhos de Jessé, só poderia ser seu primogênito, Eliabe, ele afirma ao profeta CERTAMENTE ESTÁ PERANTE O SEU UNGIDO. Apesar de cumprir seu papel como pai, o papel de separá-los para vontade de Deus e instruí-los no cumprimento dela não é dos pais, e sim dos líderes espirituais. Isto não significa que Eliabe era mais ou menos temente a Deus do que Davi, significa apenas que aquela unção não era dele e sim de Davi. O papel dos líderes é, espiritual e ministerialmente, enxergar além dos pais. É estar acima dos julgamentos rotineiros que pode ser feitos, é estar conectado à visão do Senhor e ser assertivo em seu cumprimento. Paulo declara em:

HB 13:7 | “Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil”. 

O pai humano zela pela instrução, pela disciplina, pelo amadurecimento e pela provisão. O líder zela pela alma e pelo direcionamento espiritual e ministerial, sabendo que um dia prestará contas disto. Quando pais e líderes trabalham no mesmo objetivo, os filhos são encorajados a cumprirem exatamente a vontade do Senhor para suas vidas.

Note que Davi não se sentiu indigno daquela unção, mas havia sido amadurecido por seu pai para aquele momento e quando esta instrução se soma ao discernimento do profeta do chamado e do tempo de Deus sobre a vida de Davi, a palavra diz que ele é apoderado pelo espírito de Deus. Não foi fruto apenas de Jessé, não foi fruto apenas de Samuel e muito menos mérito apenas de Davi, foi o cumprimento e o posicionamento de cada um em seu papel que trouxe o liberar de Deus sobre ele.

Que nos possamos nos posicionar para liberar a unção de Deus sobre nossos filhos!

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